
o primeiro foi a olfato. senti teu cheiro rude de longe, invadindo minhas narinas e perturbando-me a existência. as notas amadeiradas, com um delicioso toque de musgos venenosos, me entorpeciam, e, pela primeira vez, senti-me trôpega, sem o controle das minhas pernas.
imediatamente após a primeira nota invadir-me por completo o paladar ficou aguçado e, sim, eu tremi. me lembrei do teu gosto e de todo o prazer que teus sabores traziam. tua amargura coberta de geleia de cassis me fazia lembrar da louca vontade de recordar todos os sabores que nunca havia provado.
estranhamente, o terceiro foi a visão. que juro que nem era necessária, pois... ao fechar meus olhos já poderia contemplar o prazer de ver tuas formas e expressividade. de olhos abertos ou fechados, você estava ali, na minha frente.
o tato. ah, o tato! meu corpo respondia ao seu toque em ondas e espamos. todas as terminações nervosas chocavam-se com a onda de frios e tremores quentes que nosso contato produzia. um vulcão em erupção. o choque das placas tectônicas. a pangéia. tudo.
mas, o que mais queria era o apurar dos meus ouvidos. o que mais desejava era o momento da audição. quando o tintilhar de tuas cordas vocais pronunciassem o que desejei sempre ouvir...
(...)
isso sim... faz todo o sentido.
era você me invadindo por todos os buracos. por todos os lugares onde faço as coneccções do mundo aqui de dentro, com esse todo de fora: você.
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